Durante muitos anos tenho falado e ensinado sobre esse tema em muitas Igrejas e em
Instituições cristãs ou não.. Em toda essa caminhada, parti da premissa bíblica
favorável à contribuição. Utilizei dezenas de passagens bíblicas onde aparecem
mandatos e exemplos do povo ofertando, de Deus mostrando o caminho da doação,
Jesus referendando o ato e tantas outras passagens.
Ensinei o caráter libertário da contribuição capaz de tirar
o ser humano da rota da cobiça. Também embarquei na crença da doação como
pressuposto da benção e da vida feliz.
Ao longo da jornada, encontrei todo tipo de pessoas, Igrejas
e instituições cristãs. A generalização sempre é perigosa e prefiro evitá-la.
Entretanto, tenho observado a tendência da prática de muitos em usar a Igreja
ou a instituição como meio para o enriquecimento pessoal, o que é antiético e
anti-bíblico, além de desonesto.
Confesso, antes de tudo, considerar a maioria das práticas
relacionadas ao dinheiro, no meio eclesiástico ou fora dele, ações embasadas em
mitos e interpretações equivocadas. O pior é perceber como essas falsas crenças produzem sentimentos de culpa nas
pessoas. É ruim para elas, mas, é ótimo para os falsos líderes. A culpa é a
mola mestra do paganismo.
Jesus Cristo, em seus três anos de ministério, nunca fez
campanhas por dinheiro. A Igreja nascida depois da ascensão de nosso Senhor
passou a ter problemas nessa área, especialmente com fatores relacionados à
origem judaica dos primeiros convertidos. O apóstolo Paulo fez tentativas
concretas para colocar ordem nas diversas igrejas e foi o primeiro a realizar
campanhas em favor dos necessitados. Mas, a utilização desses textos como base
para esquemas de captação de recursos é temerária. O Antigo Testamento contem
muitas citações à prática financeira do povo de Deus. Jeová instruiu o povo
nesse sentido em diversas passagens. A leitura atenta permite ao leitor
perceber o caráter específico de cada situação. Não eram regras ou estatutos
definitivos. A grande regra definitiva
sobre posses materiais está nos dez mandamentos sob a forma: “Não cobiçarás”!
A relação do ser humano com o dinheiro e as posses materiais
sempre foi complicada. Em toda a história da Igreja ela aparece como um dos
grandes problemas. Esteve presente na maioria dos desvios das pessoas e das
instituições eclesiásticas.
Nossa relação com o dinheiro é difícil. A começar do fato de
não aprendermos a lidar com ele em casa, na escola e muito menos na Igreja. É
algo a ser descoberto por cada pessoa. São raros os que possuem a capacidade de
relacionar-se bem com ele. Geralmente, só os contadores, os economistas, os
banqueiros e as pessoas ligadas ao serviço do dinheiro é que se saem bem. Os
outros se tornam vítimas deles, com grande probabilidade.
Recentemente, os líderes de Igrejas e instituições passaram
a militar no time dos exploradores. Sob pretextos bíblicos, geram culpa nos
incautos e extraem cifras incríveis para benefício próprio. Praticam a extorsão
religiosa, as falsidades ideológicas, mentem, enganam, formando quadrilhas com
a adesão familiar e dos agregados.
Uma das formas mais concretas para diagnosticar quais são as
Igrejas e instituições sérias é perceber como elas são administradas. Esse tipo
de associação, por lei, deve ter uma diretoria formada por um presidente, um
vice, um tesoureiro, um secretário e um conselho fiscal. Nessa ordem, o
executivo da associação ou o pastor da Igreja não deve ter autonomia para gerir
as finanças. Ele executa o orçamento estipulado pela diretoria sem direito a mudanças.
Não cabe ao executivo ou ao pastor, determinar ou decidir como gastar o
dinheiro. Essa prerrogativa é da diretoria. O cuidado ai é observar se a
diretoria é autônoma de fato. Muitas diretorias de Igrejas e instituições são
formadas por um bando de fantoches e marionetes, sob a manipulação do pastor ou
do diretor executivo. Não é raro encontrar diretorias formadas por parentes e
chegados desses pilantras.
Essa diretoria deverá estar sob uma Assembléia formada por todos os participantes
dessa associação (especialmente dos membros) e terá caráter soberano sobre
todas as decisões. Quando as coisas estão em ordem nas finanças da Igreja ou da
instituição, o líder é um assalariado e viverá com isso. Melhor, se ele tiver
sua própria fonte de sustento.
Dessa forma a Igreja só precisará angariar recursos para a
manutenção do trabalho. Um sistema simples e bem organizado de membresia
possibilitará um rol de membros dizimistas ou sócios contribuintes com a
capacidade para gerar essa receita. Se não houver um rol de membros com essa
capacidade, então, esse será o indicativo para a não existência de uma Igreja
ou instituição formal. Melhor será mantê-la como uma comunidade sem local fixo.
O velho método de Jesus.