Sunday, April 27, 2008

Reflexões sobre o caso Isabella Nardoni

Uma das regras mais antigas para se concluir se houve um crime é observar o cumprimento de três requisitos:

!) O corpo

2) A arma

3) O motivo

A polícia de São Paulo, ajudada por um promotor exótico, como os demais colegas de todo o país, não conhece essa regra. Com medo de que a opinião pública descubra o que todo mundo já está careca de saber, ou seja, a sua inquestionável inconpetência, pelos resultados (cadê os assassinos dos prefeitos de Santo André e Campinas, do Governador do Acre, do PC Farias e sua namorada, do casa da Rua Cuba, etc.), pelos métodos e pelos recursos disponíveis, a polícia escolheu os culpados e agora busca, frenéticamente, produzir provas para incriminá-los, pelo que se pode observar.

De três, uma hipótese horrivel a mais poderia acontecer para elevar a barbaridade desse caso:

1) Um casal inocente ser julgado culpado e atirado na prisão por anos a fio.

2) Um casal culpado de um crime hediondo ser considerado inocente e sair dessa sem pagar a conta.

3) Um assassino desconhecido escapar ileso enquanto inocentes são condenados em seu lugar.

As ditas provas que a polícia dispõe, até o momento, não são irrefutáveis. Não passam de indícios baseados em suposições. A polícia não encontrou nenhuma prova cabal que incrimine os seus únicos suspeitos. Todo mundo sabe que houve um corpo e que a queda da janela do apartamento funcionou como arma, mas até aqui, a polícia não encontrou nesses suspeitos um motivo razoável para praticar tal ato e não ouviu deles confissão ou contradição capaz de dar-lhes confirmação. Para piorar as coisas, toda a família, do pai de Isabella e de sua atual mulher não têm a menor dúvida de que eles não o fariam.

Da maneira como o inquerito está sendo montado, bons advogados poderiam refutar todas essas insinuações transformadas em provas e conseguir a absolvição do casal. Para condená-los (ou a outrem) é preciso apresentar um caso consistente baseado em provas cabais. Ao invés de perder tanto tempo produzindo indícios inconsistentes, que tal buscar provas concretas? Se não me equivoco.

Me intriiga que a polícia não esteja em busca de outras alternativas, a não ser que esteja agindo em segredo. Por exemplo, a mãe da menina deveria ser investigada. De todos os personagens, ela tinha motivos. Declarou, várias vezes, que a menina atrapalhava seus planos de vida. Não tomou nenhuma providência para evitar que sua filha permancesse em companhia de um pai que ela agora considera violento e “voilá” apareceu na cena do crime da forma mais misteriosa e suspeita que se possa imaginar. Além disso, consta uma séria desavença entre o trio que poderia suscitar um motivo passional que levasse a esse desfecho com a culpa dos três. Outra possibilidade, seria um ato impensado, não planejado, fortuito ou do acaso. Nessa possiblilidade, dar a oportunidade à confissão seria a estratégia ideal.

A verdade é que a polícia e esse promotor (que adora holofotes televisivos) precisariam ser chamados à razão. Para que a pressa? Como diria Carl Young, a pressa não é do diabo, ela é o diabo. Precisa haver uma mudança de postura ética e profissional. Ao invés de escolher um culpado e imputar-lhe provas a qualquer custo, deveriam encontrar as provas que lhes revelasse o (s) assassino (s). Isso pode requerer tempo e paciência, desde que haja trabalho sério, competente e intenso. A polícia não deve tentar ser o que ela não pode ser, no momento. Deve trabalhar com simplicidade e denodo, pois isso é o que ela está apta a fazer agora. Me parece.

Todos nós desejamos ver esse caso solucionado e doa a quem doer. Mas seria desastroso piorar as coisas, muito mais, com um trabalho tão temerário da polícia e do Ministério Público. Sem falar na desatrosa atuação da Mídia, sobretudo da Rede Record de Televisão, do irmão Edir Macedo, salvo enganos.

Posted by Lou at 23:08:53 | Permalink | No Comments »

Wednesday, April 23, 2008

O prescedente

Abriu a primeira porteira e passou o boi Bolívia com o presentinho de duas usinas de gás e o aumento generosíssimo no preço do gás.

Agora o Paraguai também quer, através do aumento do preço da energia elétrica gerada em Itaipú, onde eles não puseram nenhum centavo e o envolvimento das terras mais do que produtivas, dos camponeses brasileiros vivendo nas terras de Solano Lopes, na reforma agrária deles. Para que não sei. As terras precisarão de trabalho duro.

Quem virá depois? A Colombia? A Argentina? A Venezuela? O Suriname? A Guiana? Vamos sustentar toda a Améria do Sul? E o que ganharemos com isso? Mais pobreza? Não chega a que temos por aqui?

Posted by Lou at 00:40:41 | Permalink | No Comments »