Copa do Mundo de Futebol em 2014 no Brasil, mas em qual Brasil?
O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) inicia a corrida para a Copa de Mundo de 2014 em Minas Gerais, junto ao governador daquele estado. A seguir vai a Brasília onde tentará obter o apoio do governador do Distrito Federal. Por enquanto, São Paulo não está na pauta. Em entrevista, o presidente declarou que o estádio do Morumbi (o melhor de São Paulo) não seria adequado aos jogos de Copa do Mundo por não possuir estacionamento. Em suas palavras, deu para sentir uma certa tendência em não incluir São Paulo no projeto da Copa 2014.
Olhando do ponto de vista social, qualquer estado brasileiro não incluso em uma Copa como hospedeiro de jogos, só tem a ganhar, pois representaria uma grande gasto supérfluo a menos aos cofres públicos. Entretanto, aquela carinha de desdém demonstrada pelo barrigudo presidente incomoda. Será ele um herdeiro do velho provincianismo tão presente nas gerações brasileiras passadas, onde o bairrismo era tão comum? Ou seria mesmo uma questão de números?
Alias, minha sugestão é separar o futebol paulista do resto do País. Não é uma sugestão bairrista. Antes do chamado Campeonato Brasileiro, havia em São Paulo mais de vinte equipes de altíssimo nível que disputavam grandes campeonatos por pontos corridos. Além dessas, outras vinte pleiteavam, todos os anos, uma vaga na divisão principal através de campeonatos disputadíssimos nas divisões de acesso. Assim, São Paulo é o único estado em condições de manter um campeonato com as duas vantagens: ser rentável e interessante. Os outros vinte e cinco estados poderiam continuar disputando o Campeonato Brasileiro. Os dois primeiros colocados em São Paulo ficariam com duas vagas na Libertadores da América e as outras vagas com os primeiros colocados do Brasileiro. Ah! Os times paulistas não disputariam a Copa do Brasil e tão pouco a Sul Americana. Pronto.
Ter vencido campeonatos paulistas foi muito mais importante do que vencer campeonatos brasileiros, para as equipes paulistas, provavelmente. Era assim: as equipes classificavam-se para a Libertadores depois de vencer em seus estados. As vagas eram divididas entre Rio de Janeiro e São Paulo. Inclusive o futebol do Rio de Janeiro era muito melhor, nessa época. Conforme outros estados iam ganhando equipes competitivas, adquiriam o direito de disputar o campeonato sul americano. Foi assim com Minas e depois com o Rio Grande do Sul.
Tudo ia bem e o futebol brasileiro era grande, o melhor do mundo. Os jogadores não saiam facilmente do País e poucos jogos eram televisionados ao vivo. Mas, inventaram o Campeonato Brasileiro televisionado e liquidaram com uma das poucas coisas que nos orgulhavam: o Futebol.
E não há perspectiva de melhoras. Os destruidores do Futebol, como esse senhor que preside a CBF e o ex-sogro dele, enraizaram-se e só sairão quando o destino for o cemitério. Provavelmente, serão enterrados ao lado da grande cova destinada ao próprio futebol.
Espero uma atitude digna dos dirigentes paulistas, se esse crápula vier pedir socorro ao futebol paulista, caso a coisa não dê certo. Em outras palavras, digam-lhe Não! Começou sem nós, agora vá em frente, como começou.
